Canto erótico
(Célia Lamounier de Araújo)

As roupas caem
uma a uma depressa
em gestos comuns

Houve um tempo
em que flutuavam
sutilmente
e assistiam ternas
a dança das carícias
no corpo esbelto
que se desvestia
em gestos sensuais.

As roupas guardadas
o quarto triste
um só travesseiro.

Foi-se o amante e a música
a voz apagada
não mais canta
o amor e a felicidade.


Houve um tempo
em que o ar era morno
o banheiro cheiroso esperava
e a própria casa cantava