O N D E     

Elane Tomich     

 

Onde estão os outros idos,

pedaços de tempo, perdidos,

cortados pela saudade?

Onde ficaram esquecidos

meu sétimo e oitavo sentidos

de esbanjar felicidade,

fartura e boa vontade,

em força de amor, convertidos?

Num ponto do caos, escondidos?

Onde é que foi corroído,

o altruísmo colorido

dos meus rituais de passagem?

Plantaram-se em peito em peito ferido

ou fizeram outra viagem,

na doce volta à esperança,

dos meus jogos de criança?

Um mundo só de meninos,

espera-me no futuro,

   não passado a limpo passado,

levado ao léu do destino?

Se tenho o peito fechado,

preciso de um abre-caminho

ou sabe-se lá, de carinho!

Será que existem muros

de pedra dentro de mim?

Obstáculos tão duros,

que impedem a fluência,

o germinal de outras metas,

dividindo a vida em retas

involuindo a existência,

princípio indicando fim?

Será que ainda vou ter

aquele olhar concedido

ao  primeiro conhecido,

sem precisar ver prá crer,

guardando-o no peito comigo,

um novo antigo amigo? 

 

 

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           E S T Ã O     A Q U I

Célia Lamounier de Araújo - MG

                                                       Recordando-te:

                                           “Em que lugares, em que salões”

                                                             Rafael Sanchez

 

Em que tempo e com quem estão

Minhas promessas de amor,

Meus sonhos, a glória, meus dias

E vestes, o meu vôo de condor?...

 

No passado, na saudade,

No tempo bem vivido ontem?

Estão numa outra eternidade

Que resguarda todas as vidas.

 

Estão na recordação de todos

Que juntos contribuíram

Fazendo os momentos lindos

E por lembranças reuniram.

 

Guardados da minha vida

Estão aqui em meu corpo

Atos e fatos, a realidade vivida

Nas gavetas da memória.

 

Nossas vidas, de momentos

E momentos reunidos,

Estão escritas no livro infinito

Que resguarda os tempos idos.

 

                  E nos será lido no acerto dos dias.