Com que direito te achas
De te desfazeres do que não te pertence?
Quem te denominas para que te ocorra
Se é muito ou pouco o que te dou?
Apenas saiba, atente bem para isto,
Pobre alma rica em soberba,
Que teu coração sou eu.
Tua mente uma fração ínfima da minha.
Tua sensibilidade sou eu que te dou
Até o limite em que a possas suportar.
Tua vida, por enquanto não houve,
É o teu destino, e só a terás
Quando não mais fores o que atinas ser.
Não és dono nem dos teus membros
Quanto mais dos teus escritos ...
Quanto mais te despires das tuas dores,
Quanto mais te negares por vidas outras,
Quanto mais não te calares às infâmias e injustiças,
Quanto mais gritares teus sonhos
Em meio ao deserto que escalda,
Enquanto tuas lágrimas germinarem cáctus
Em avenidas das cidades,
Estarei em ti.
Serás quase uma insignificância do que sou
Mas serás tão grande quantos poucos foram.

(Armindo Lima da Silva)

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