Nem Sempre Sou Igual

Fernando Pessoa   [Alberto Caeiro]

Nem sempre sou igual no que digo e escrevo.
Mudo, mas não mudo muito.
A cor das flores não é a mesma ao sol
De que quando uma nuvem passa
Ou quando entra a noite
E as flores são cor da sombra.

Mas quem olha bem vê que são as mesmas flores.
Por isso quando pareço não concordar comigo,

Reparem bem para mim:
Se estava virado para a direita,
Voltei-me agora para a esquerda,
Mas sou sempre eu, assente sobre os mesmos pés —
O mesmo sempre, graças ao céu e à terra
E aos meus olhos e ouvidos atentos
E à minha clara simplicidade de alma ...

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SEMPRE ME REPITO!!!
valdez

Olhe-me!!!
Já morri milhões de vezes...
E sempre sou eu mesmo, a mesma fênix.

Há em mim a mesma simetria;
Os mesmos olhos embebidos de esperança.
Sofro dos mesmos furores e da mesma mansidão todos os dias.
Minhas células são repetitivas;
Abraço os mesmos sonhos todas as noites...
Tenho sempre os mesmos desejos e sofro pelos mesmos amores.

Teus olhos sempre me seduzem;
O vinho da tua boca sempre me embriaga.

Os meus muitos outonos são sempre iguais.
Minha tristeza tem sempre a mesma face triste.
Os ventos que me beijam cantam sempre a mesma canção.

Pois..., são tantas as minhas mesmices
Que gostaria de mudar de identidade!!!

VALDEZ  - grupo ATENEU