COROA DE SONETOS: A um vulto
(a duas mãos, por João e Célia)

1- João Justiniano da Fonseca - BA - 09.09.03
1 - Sozinho, Deus, assim como nasci,  
vejo-me hoje, nos oitenta e três.
Lei do destino ou lei de Deus, as leis
são para ser cumpridas, e as cumpri.
        Lutei, suei... O sonho consenti
       a sábios e boçais, a reis e greis!
       Se hoje ainda tivesse, outra vez
       oferecera-o, como ofereci.
Voltar atrás, poder voltar à infância
e começar de novo, estância a estância,
desde a picula ao baba, escola e estudo...
Ir-me em seguida ampliando, passo a passo:
Mais esperança e fé, que ao mundo, eu acho,
"É tão pequeno este meu sonho mudo" .......................................................................................................  

2 - Célia Lamounier de Araújo - MG -  21.09.03
2 - É tão pequeno este meu sonho mudo
saber viver sem trégua e sem temor,
buscando ser sempre feliz em tudo
na troca de palavras mais amor.
Estar crescendo numa casa tal
que tenha bom conforto e ambiente
onde existir é ter um ideal
viver por ele e estar ali presente. 
Seguir vivendo plena de amizades
na busca ideal de luz e verdades
construir igualdade e ser querida
Por muito tempo estar sempre contente
e plantar distribuindo a semente
de ter amor e ser retribuída. 

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3- João Justiniano - 21.09.03
3-De ter amor e ser retribuída
   é o ideal, o sonho da mulher.
   Ser a esposa ou a segunda, é ser qualquer;
   quer ser a única, não dividida.
Por isso ela me disse na partida:
não voltes nunca mais, quero viver
sem nunca ouvir falar de ti, sequer!
E viverei feliz por toda a vida.
Busca outra, que outro eu buscarei.
O amor há de ser simples como a lei
do coração. E há de ser puro em tudo.
Guarda como lição essa palavra:
minha sede de amor é sede brava,
meu corpo aceso guarda um grito agudo   ..........................................................................................................

4 -  Célia Lamounier em 24.09.03
4 -  Meu corpo aceso guarda um grito agudo
que vai rolar ao infinito mar
pois com a felicidade, se me iludo,
irei cantar, dançar, de amor gritar.
Ao vento, ao rio, ao mar, gritar ao céu
irei na eterna busca de um alguém
sincero, bom, correto, andante ao léu
que junto a mim será feliz também.
Por esse alguém hei de me reflorir
em flor e fruto ou rosa a repartir
num tempo de nós dois, amor e vida.
E dia e noite, caminhando a dois
vamos assim no passo a passo pois
minha alma virgem quer ser possuída.

5 - João Justiniano - 24-09-03
5 –Minha alma virgem quer ser possuída .....................................................................................................................
em igualdade de pureza e amor.
Se o corpo é luz e fogo, puro ardor,
a alma é luz e lírio branco, vida!
A alma da gente unida ao corpo, ama
com intenso calor e igual desejo...
E somam-se no amor, sopro e realejo,
num grito único de acesa chama.
Assim não foi. Teu corpo ao meu unido,
a alma me relegaste a um só gemido
de dor profunda, enorme, verdadeira.
E eu, curtido de mágoas, dor, complexo,
vi que sem alma, falta amor no sexo:
- é tão pequena a vida passageira...
 
6 - Célia Lamounier em 06.10.03:
6 - É tão pequena a vida passageira
se o tempo escoa breve encaminhando
os passos, corpo e alma pela beira
estreita do horizonte, céus buscando.
        Pequena a vida pode ser imensa
        querendo por amor ao céu chegar,
        amar é ser feliz, ter vida intensa
       crescer, evoluir, com Deus andar.
E no desabrochar desta existência
encontra-se o saber com paciência,
mistérios de um amor são desvendados.
      Pequena a vida é feita de saudade
      porque estão vivendo na realidade
      o homem e a mulher tão separados.   ......................................................................................................................

7 - João Justiniano em 8-10-003
7 - O homem e a mulher tão separados,
em divórcio de amor, de corações!
O terrorismo e a guerra entre as nações,
velhos padrões morais estiolados.
     O homem se esquece de que Deus existe
     e existem calendário e esgotamento.
     Galo na rinha e rei sem sentimento,
     castiga, mata e esfola - espada em riste.
Não há fronteiras entre o bem e o mal,
a vilania e o furto têm floral,
passeia o mundo na total cegueira!
     O mal cavalga o tempo e prevalece
     o amor se esgota e morre numa prece...
     amor é ave de arribação, ligeira... 

8 – Célia Lamounier em 11.10.03
8 – Amor é ave de arribação, ligeira,     .................................................................................................................................
chegando vem do além do arco-íris
trazendo-me esperança alvissareira
de que não vais de mim, jamais, fugires.
           Coração meu, de amor gaiola aberta,
           sonhando corpo e alma bem querer
          espera o canto, na jornada incerta
          do pássaro amor lhe reconhecer.
O tempo passa... O amor já não me vem.
fica o corpo lasso e a alma também
com sonhos e desejos abafados
          Descobrindo afinal grande verdade:
           o amor é ave rara de saudade
           que pousa sempre em galhos desligados.    ...................................................................................................

9 - João Justiniano em 12-10.03
Que pousa sempre em galhos desligados?
- O amor, o sonho, a terna fantasia
que ilumina a esperança dia a dia
e amplia a mora dos desconsolados?
     Se pulsa o coração e a alma estremece,
     se a vida te sorri e a alegria
     permeia e eleva a alma, se a harmonia
     canta, composta em módulos de prece...
Porque não esperar que o edifício
erguido alto marque o frontispício
de festivos brasões, felicidade?
     Porque não esperar que na quermesse
     da vida, novo amor não te acontece, 
     abandonada e plena de ansiedade?

10 – Célia Lamounier  em 12.10.03
10-Abandonada e plena de ansiedade    .............................................................................................................................
vivendo o dia a dia no trabalho
vitoriosa com a realidade
alma cismando corpo no borralho.
     Contente e descontente, eu curto a sina
     de ter amor e amor não encontrar
     entendo bem que a vida nos ensina
     o amor talvez está noutro lugar.
No tempo certo chega - um Cupido
lançando flechas;  coração ferido
se entrega a outro, manso e sem lutar.
     Saber da vida com fé e esperança
     que o amor existe e assim, na confiança,
     um vulto em minha estrada busco amar. ................................................................................................................

11 – João Justiniano em 13-10-003
11 - Um vulto em minha estrada, busco amar
e ele me entrega o seu amor sincero.
Revérbero do sol no azul do mar?
Não sei! Só sei que vem. Só sei que espero!
     E quando me chegar, o vulto amado,
     depois de tanta busca e tanta espera,
     eu hei de recebê-lo sublimado
     como quem vem do céu, da estratosfera!
No meu passado, o amor foi insincero,
e veio dos peraus, do lagamar,
troca-passo de frívolo bolero...
      Vindo do céu azul, do verde mar,
      que será este vulto que eu espero?
      - o vulto é sonho que se esvai no ar...

12 – Célia Lamounier em 15.10.03   
12- O vulto é sonho que se esvai no ar    ..........................................................................................................
ao acordar voltando num sorriso
perde-se o vulto sem poder amar.
Quero dormir, ter o meu paraíso.
      Pois antes sonhar e sofrer vivendo
      que sem sonhos sofrer viva porque
     o vulto é uma  esperança, está crescendo
     na imagem que eu revejo de você.
Você, nem  sei se existe sobre a terra
Você, sonho de paz e amor sem guerra
Canção azul, raio de sol, meu jade.
     Espero por você, em sonhos vulto
     Que busco para ver seu rosto oculto
     Sonho tão simples de felicidade!  ..............................................................................................

13 – João Justiniano em 16-10-003
13- Sonho tão simples de felicidade...
Felicidade Fada, inatingível,
acima, sempre acima do alto nível
onde a elevamos desde a tenra idade!
     Felicidade, sonho vão, mentira
     que se busca na vida hora por hora,
    e, quando a vislumbramos vai-se embora
    sem acendermos sua ardente pira...
Felicidade, elevo a mão, tão perto
como as verdes miragens do deserto
ela foge e se esvai, se desbarata...
     Nem sequer a vislumbro, eis que na altura
     onde se põe, a imagem desfigura:
o sonho passa; o corpo, o tempo mata.

14 – Célia Lamounier em 16.10.03
14 - O sonho passa; o corpo, o tempo mata ...........................................................................................
E minh’alma, essa desconhecida,
Esvoaça na busca do amor e acata
Um desejo de ser eterna a vida.
       Mas não... eterna é a desesperança
       Na busca inútil de um imenso amor
       O corpo da mulher que foi criança
       Já mostra rugas, perdeu seu calor.
Tudo é pequeno neste tempo estranho
E embora assim, em seu real tamanho,
Um ser, em corpo e alma, Deus retrata
   O ser é grão, é gota, é criatura...
   O tempo passa, conhece amargura
    e, tão pequena, a vida segue ingrata.

15 - SONETO A UM  VULTO
(soneto-tema da coroa)
Célia Lamounier de Araújo
É tão pequeno este meu sonho mudo
de ter amor e ser retribuída
meu corpo aceso guarda um grito agudo
minha alma virgem quer ser possuída.
       É tão pequena a vida passageira
       o homem e a mulher tão separados
       amor é ave de arribação, ligeira,
       que pousa sempre em galhos desligados.
Abandonada e plena de ansiedade
um vulto em minha estrada busco amar
o vulto é sonho que se esvái no ar.
       Sonho tão simples de felicidade!
       o sonho passa; o corpo, o tempo mata
     ........................................................................................................  e, tão pequena, a vida segue ingrata.

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