O SEMPRE

Célia Lamounier

Nasci nu

deram-me um banho e um número

na pia batismal um nome

e o tempo vai moldando

o nome ao corpo e à alma

e do nascido faz-se a palma

que de outros vai magoando

e fatos vão curtindo,

curtindo a pele

que se enruga a cada rusga

a cada impacto

no pacto da vida e morte.

 

Sempre a porta se abre e adentro...

para outros, antes da porta

não importa nada,

importa ao nome juntar títulos

acrescer o nome é crescer o eterno

da relativa importância

de se chegar sempre em qualquer lugar.

Há pessoas que não chegam nunca.

 

Sempre a porta se abre, se fecha

a cada ato e para cada um

ficam as marcas vivas

precioso quilate do nu nascido

que vai partir e regressar

e renascer e revoltar

sempre mais enrustido.

Há pessoas que sempre ficam.

 

 

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