O Sabor de um abraço
(Célia Lamounier de Araújo)
 


Sem nenhuma dúvida, o melhor da vida acontece

diante do imprevisto e da surpresa.

Não se pode deixar a rotina tomar conta do amor!

Lembro minha amiga loira e linda, com sua saia

vaporosa, apaixonada pelo pintor negro, e seu encontro

 em plena avenida, os dois correndo um ao encontro

 do outro, motoristas parando carros curiosos e aquele

 abraço cinematográfico, descarregando a saudade.

Quando foi isso?
Mais de 20 anos se passaram e não esqueci...

Nascem sensações estranhas, arrepios na pele,
uma energia infinda e célere como o raio quando

nossos olhos se cruzam com outros desejados,

uma voz ao telefone trazendo emoção e sorrisos

 ou flores e presentes alegrando nossa fisionomia.

Mas nada se iguala ao sabor de um abraço inesperado.

Aqueles minutos de surpresa, o coração em sobressalto
se perguntando:é você mesmo?. Os dois se olhando,

enquanto passo a passo a distância fica menor.

 Um minuto de pausa e finalmente num impulso o

movimento flexível e macio, o corpo jogado nos braços
que amparam e seguram.

 Um corpo a corpo que agasalha, conforta, enternece,

reanima e faz do minuto uma eternidade.

O coração pulsa no desejo de que pare o mundo e se
possa saborear o abraço, néctar e bálsamo a quebrantar

o espírito, a suavizar docemente nossas vidas.

Por que será que nos educamos para mascarar emoções?

 Seria tão bonito o mundo com mais abraços,

mais elogios e mais amores!...

Afinal, apesar de muitos abraços nada significarem,
outros servem para dizer:

admiro você, gosto de você, estava com

saudades, sou seu amigo
ou... amo você!