VER-DE-VER

A um poeta mudo que desejava falar tanta coisa 

Célia Lamounier de Araújo - Itapecerica MG

 

O sol cria jóias, brilho de estrelas...

Quando iremos, poeta, colher

diamantes nas águas do rio?

Quando iremos, poeta, colher

pérolas verdes nas folhas ao vento?

Quando iremos novamente ver

as safiras-flores da estrada?

 

O tempo é curto para se viver...

E de um momento para outro

não estaremos mais aqui.

Quando eu me for,

quero deixar-me em você

nas pequenas coisas que gosta

e eu também conheci.

 

Quando olho as sucupiras

da longa estrada, na qual

viajo agora sem você,

recordo uma viagem

na mesma estrada,

busco o tempo da saudade

e retomo você a meu lado.

 

A saudade machuca nosso coração...

É isso...  Mas traz de volta

um pouco dos ausentes

que revivem na recordação.

Assim...  neste ambiente

é como se você estivesse aqui

mas não tão lindo quanto foi realmente.

 

E o meu poeta mudo... só falou de verde e sol.  

 

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